O Boca Grande
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Publicado em: 2002-08-19 23:17:43
Actualizado em: 2002-08-19 23:17:43
Estávamos em Janeiro do ano de 2001, quando numa manhã de denso nevoeiro eu e o meu amigo
Rebelo rumámos a S.julião para tentar a sorte num lajão já bem meu conhecido e que me
tinha anteriormente proporcionado bastantes capturas dignas de fotografia. Chegámos como convém pelas
6h 30m da manhã envoltos numa espessa e fria neblina que mal nos deixava ver o lajão onde tinhamos os pés.
Calmamente amassei o engodo (sardinha congelada à qual ia juntando água salgada), armei o xalavar e preparei
uma das minhas três canas SARGUS de 6m (a que tinha fio 0,22) e comecei a engodar.
Nessa altura o meu amigo Rebelo com mais 35 anos do que eu, enquanto esfregava vigorasamente as mãos,
ia praguejando pela falta da camisola de lã que tinha deixado no carro.
Ainda ele não tinha armado a cana já a minha bóia se encontrava na água envolta por uma penumbra
acinzentada que mal deixava ver os seus movimentos. Passada cerca de um quarto de hora fisguei
um carapau e o Rebelo logo outro de seguida, isto é um bom sintoma disse eu entusiasmado, fomos assim pescando
vários carapaus, que até eram bem grandes até que de repente desapareceram. Nesta altura mudei de imediato o anzol
para um 3/0 isquei com a sardinha farpada e com o coração acelerado esperei pelo BOCA GRANDE.
Não demorou muito que o Rebelo gritasse " Este é dos bons" e com muita calma e perícia lá foi trazendo o
robalo que me fez molhar até ao peito quando o ia fazer entrar para o chalavar. Tinha cerca de 3 Kgs.
Enquanto ia dizendo "quem sabe ...sabe" novamente a cana vergada e desta vez outro bom exemplar que depois
de ser tirado com o chalavar fez companhia ao anterior numa poça de água limpa. Esta cena repetiu-se por mais
3 vezes sem que eu ao lado dele tivesse um único toque.
Até que as trombetas soaram... A minha bóia começou a afundar muito devagarinho (sinal de peixe grande) e a
estocada não se fez esperar, a partir daí nada mais contava, só ouvia o barulho do drag do carreto
que nunca mais se calava e com a cana bem elevada na vertical ia controlando a quantidade de fio desenrolada
pelo animal. "Ò Rebelo este gajo vai-me levar o fio todo e não o vou conseguir parar"- felizmente para mim depois
de ter corrido cerca de 150m parou. Completamente a tremer lá fui rebocando o peixe, que fez nova investida
levando mais umas dezenas de fio. Desta vez parou no fundo e teimosamente por ali ficou .
Nesta altura o Rebelo já tinha outro fisgado e pedia ajuda com o chalavar.- "ò Rebelo desenrasque-se que eu não
vou largar o peixe que tenho ferrado".- Com a experiência de velho Lobo do Mar lá conseguiu encalhar o robalo
num caneiro estreito-felizmente era mais pequeno. Quando já dizia mal á minha vida, pois pensava que o peixe
que tinha ferrado estava entocado ou pior, tinha dado várias voltas a um rochedo, eis se não quando a cana
torna a vergar e nova luta recomeça.
Desta vez o vencedor fui eu e o ROBALO fez juz aos seus 8,8 Kgs

Em breve voltarei a descrever mais alguns dos maravilhosos dias de pesca que passei na companhia do Mestre Rebelo.
Saudações piscatórias
fbarbo
