Este tema é já bem conhecido de todos, mais que não seja por terem consultado uma tabela das marés, para preparar uma saída para a pesca. Vamos falar nele de forma simples e talvez curiosa.
Quem está na praia observa diariamente a subida (fluxo) e descida (refluxo) das águas junto à costa.
Quase sempre duas vezes por dia e com uma relação com o ciclo lunar. São as marés.
Este fenómeno já era conhecido na Antiguidade, desde Seleuco (365-283 a.C.), dito o Babilónico - um sábio grego que teve a vantagem de viver nas margens do Mar Vermelho, onde as marés são mais amplas - reparou que o seu período coincidia, embora com certo atraso, com o período da Lua. Tal como o nosso satélite demora cerca de 24 horas e 48 minutos entre duas passagens consecutivas pelo meridiano do lugar, assim o ciclo das marés se repete com um período de 24 horas e 48 minutos, até Isaac Newton (1642-1727). O cientista inglês descobriu que é a força da gravitação que mantém a Terra em órbita do Sol e a Lua em órbita da Terra, e percebeu que estes astros se atraem mutuamente. Explicou as marés pela atracção que a Lua e o Sol exercem sobre a superfície terrestre, e que é maior, pela Lei da Gravitação Universal, em pontos da superfície situados mais perto da Lua e do Sol.
A força exercida pela Lua e pelo Sol atraem a água dos oceanos (e também dos continentes!) provocando o fenómeno das marés. Mas, apesar da imensa massa do Sol, 27 milhões de vezes maior que a da Lua, o facto desta se encontrar mais próxima da Terra faz com que a influência da Lua seja mais de o dobro da do Sol. São as variações das posições do Sol e da Lua que comandam o ciclo das marés mas em teoria, todo o Sistema Solar tem interferência no fenómeno. Deste modo, o movimento giratório da Terra em relação aos astros irá provocar variações nessa atracção e, por cada vez que a Lua passa pelo meridiano do lugar (as horas das marés não coincidem, exactamente, com a passagem da Lua no meridiano do lugar. Retardam sempre um pouco devido à necessidade de vencer a inércia, os atritos do fundo do mar, a coesão das moléculas líquidas e, a este atraso da onda de maré chama-se idade da maré) dá-se uma Praia-mar nesse lugar e cada vez que a Lua nasce ou se põe, em relação a esse mesmo lugar, dá-se uma Baixa-mar.
A amplitude da maré é a altura de água, em metros, entre uma Praia-mar e uma Baixa-mar e tem uma duração de 6 horas. A amplitude das marés varia consoante a posição dos astros (Sol e Lua) em relação à Terra.
As grandes marés, ou marés vivas, são aquelas cuja amplitude é a maior do ciclo lunar e correspondem ao momento de concordância das atracções solares e lunares, na lua cheia e lua nova.
O Sol e a Lua quando se encontram em quadratura e portanto as suas forças de atracção se encontram desfazadas em 90º. Formam durante este periodo, o quarto minguante e o quarto crescente, onde as marés atingem a amplitude mínima chamando-se assim de marés mortas.
Regra geral, as amplitudes de marés vivas em Portugal Continental são cerca de 1,5 m. Isto é, o mar sobe e desce 1,5m em relação ao nível médio. Em marés mortas, a amplitude da maré é da ordem dos 70 cm. Na Madeira temos uma amplitude de 1 metro em marés vivas e 50 cm em marés mortas; nos Açores temos 70 cm em marés vivas e 30 cm em marés mortas. Estes valores ilustram um facto conhecido: a amplitude da maré diminui quando nos afastamos da costa. Com efeito, sabe-se que a maré se torna praticamente nula nas zonas centrais das grandes bacias oceânicas.
Entre a Baixa-Mar e a Preia-Mar, dão-se as Enchentes e as Vazantes que são os afluxos e refluxos da água a um determinado local da terra. Enquanto ocorrem as Enchentes e as Vazantes as águas imobilizam-se por determinado período que dura cerca de meia-hora nas Marés Mortas e cerca de cinco minutos nas Marés Vivas. A esse período de imobilização denomina-se Estofo.
Estas acções conjuntas têm como principal consequência o jogo das marés vivas e mortas que ocorre aproximadamente todos os 15 dias. Quando a Lua está em conjunção ou oposição com o Sol (Lua Nova e Lua Cheia), as acções dos dois astros reforçam-se e é gerada uma maré de maior amplitude, chamada maré viva. Nas quadraturas (Quarto Crescente e Quarto Minguante) a acção do Sol contraria a da Lua e a maré é mais fraca. Temos, então, a chamada maré morta. Ou seja, em cada mês lunar, (período de recorrência das fases da Lua) temos duas marés vivas e duas marés mortas.
Ver Animação
Os oceanos Atlântico e Índico têm marés semidiurnas (duas vezes por dia).
Na Europa as marés são essencialmente semidiurnas
Convém por último referir que o nível da água do mar depende ainda de outros factores Meteorológicos que não a maré astronómica, tais como a pressão atmosférica, ventos e a agitação marítima. A pressão atmosférica é o mais importante dos factores não astronómicos que influenciam a subida e descida do nível do mar; com efeito, as baixas pressões produzem um aumento do nível das águas e, inversamente, as altas pressões estão associadas a uma descida do nível do mar. como o vento também têm influência: soprando do mar para a terra causa subida do nível das águas junto à costa, de terra para o mar causa descida.
A fase da lua influencia no comportamento das marés e as marés no comportamento alimentar dos peixes.
As chamadas marés de lua grande (cheia e nova), onde a amplitude praia-mar / baixa-mar é grande, são ideais para pescar em praias arenosas e rochosas. Isto devido à força da maré, que sendo maior, remove a comedia que está enterrada na areia (praia) anelideos, moluscos bivalves, etc., e desprende ou arrasta mexilhões, percebes, ouriços, lapas e pequenos caranguejos que vivem nas pedras, atraindo os peixes que se alimentam neste local.
As marés de lua pequena (crescente e minguante), onde a amplitude praia-mar / baixa-mar é menor, o ideal é pescar em canais mais profundos, devido a corrente ser menor e desta forma atingir o ponto ideal de pesca (tanto local como profundidade).
Outros fatores influenciam significativamente na pesca como temperatura da água, salinidade, transparência da água e principlmente a pressão atmosférica que não pode estar muito baixa (sem falar do pesqueiro!!!)
É muito comum nós estarmos bem preparados, com iscas, equipamentos e não pescarmos nada. No mar é assim. O importante é nós observarmos todos os detalhes possíveis de cada pescaria e acumular estas informações, para que possamos agir da melhor maneira na próxima. É sempre bom não esquecer o ditado popular