Vou falar de pesca (Gato)
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Publicado em: 2008-10-14 21:11:39
Actualizado em: 2008-11-06 15:33:25

Vou falar-vos da minha técnica de pesca preferida, o Surfcasting nocturno, uma das modalidades de pesca de costa que nos permite apanhar os maiores exemplares. Isso acontece porque o peixe graúdo, que devido ao seu tamanho são facilmente identificados á luz do sol pelas suas presas e que durante o dia está entocado nas rochas ou escondido nas laminárias. Durante a noite, camuflados pela escuridão, arriscam a caça em zonas mais próximas da costa, mais abertas, como os areais. As espécies que podemos encontrar com mais frequência são os Robalos, Sargos, Douradas e Corvinas, dependendo da zona do pais ( a norte os Robalos e os Sargos e mais a Sul as Douradas e as Corvinas ).

Devemos primeiro escolher o pesqueiro, observando-o durante o dia para termos a percepção de onde estão as coroas de areia e os fundões, pois é nesses locais que a comida se concentra ou como o mar e as correntes se movem. Depois é uma questão de sondar esses locais com os nossos lançamentos, ora mais curtos, pois durante a noite o peixe é bem capaz de virem comer aos nossos pés, ora mais longos, para cima ou para trás das coroas, ou então para os fundões que também são excelentes locais.
Quanto ao material a utilizarmos e uma vez que estamos a falar de uma pesca pesada e que podemos engatar peixes que podem atingir os 10 kg devemos usar material robusto. Uma cana entre os 4.5m e os 5m com uma acção entre 100g e 250g de 3 elementos e não daquelas de encolher que são mais flexíveis e com a agitação da água pela acção das ondas faz com que a cana se agite bastante e torne mais difícil de percebermos os toques dos peixes.
O carreto também deve ser forte, dos modelos 7000 para cima.

Quanto ás linhas, as preferências variam muito de pescador para pescador. Eu falo-vos da minha preferência; linha 0.25/0.30mm na madre do carreto seguido de um ”chicote” de 0.40/0.50mm.
O que ganhamos com isto?
Metros preciosos quando queremos lançar mais longe. Uma vez que a linha mais fina provoca menor atrito quando sai do carreto e corre pelos passadores, assim a chumbada “voa” á vontade para mais longe. O “chicote” não é mais do que uma linha mais grossa para poder aguentar o impacto forte do lançamento de uma chumbada mais pesada.
Falando de chumbadas, estas devem ser entre 100/200g. dependendo do estado do mar e num fundo de areia o mais aconselhável é utilizar chumbo em forma de pirâmide para se fixar num determinado local.
Se não quisermos a pesca fixa mas sim deixa-la andar ao sabor da corrente então podemos usar chumbadas redondas.

As linhas dos estralhos são também “á escolha do freguês”. Uns preferem linhas finas, outros mais grossas. Pessoalmente prefiro uma entremédia de 0.30/0.35mm. Podemos dizer que devíamos usar uma linha grossa porque durante a noite o peixe não se apercebe da linha mas é errado pensarmos assim.
Claro que se tivermos a pescar ás Corvinas e ás Douradas corremos o risco de traçarem a linha e por isso há até quem use estralhos de aço, portanto, devemos adaptarmo-nos á realidade do pesqueiro e ás espécies que nele podemos capturar com mais frequência.
Anzois é para todos os gostos e feitios; pequenos ou grandes, haste comprida ou curta, de argola ou sem argola; é uma selecção que devemos fazer tendo em conta o isco que usamos e as espécies que queremos capturar.
Finalmente o isco, onde as nossas opções são quase infinitas, desde os vivaldes, marisco, sardinha, minhocas, etc..

Devemos ter algum cuidado na escolha do isco que deve estar em consonância com o local que estamos a pescar. Ou seja, devemos usar um isco que pela ordem natural exista nesse mesmo pesqueiro e assim o peixe esteja habituado a encontra-lo por lá. Podemos usar esta ordem de ideias:
Águas escuras utiliza-se iscas brancas, como o berbigão, a amêijoa, a lula, o lingueirão, a sardinha, o bucho de polvo, o camarão, etc.
Águas normais utiliza-se o isco para águas escuras, mas as mais indicadas são o casulo, a tiagem, o coreano e o ganso, assim como, as iscas vivas, o caboz, o caranguejo, o ralo, a camarinha, o mexilhão.
Águas claras usamos s chamadas iscas vermelhas, como a tiagem, a coreano, o grilo, a minhoca do lodo, o ouriço-do-mar, etc.
Neste tipo de pesca há também algum material extra que não podemos dispensar como umas botas impermiáveis seja para entrar dentro de agua para lançar mais longe ou mesmo para retirar algum peixe maior de dentro de agua. Um espeto para a cana uma lanterna de cabeça e claro, roupa quente pois as noites á beira-mar são bem fresquinhas.
Podiamos aprofundar muito mais esta modalidade de pesca falando de marés, estado do mar, ventos, correntes, luas, enfim todas as condições meteriológicas que influenciam o comportamento dos peixes mas podemos concluir que na pesca há uma serie de variáveis que nos obriga a sermos flexíveis com os materiais que usamos e técnicas de pesca ou corremos o risco de apanhar umas boas grades enquanto o colega do lado encheu o saco.
Gato
Belo artigo que nos trazes gato.. Esta modalidade de pesca cada vez me fascina mais, pois para alem da pesca permite-nos estar com os amigos num ambiente fabuloso apenas embalados pelo barulho do mar...Parabens
pedrolourenco79
Muito bom artigo:) Parabéns Gato.
toalhas
Muito bem. Está um artigo muito bom. Parabéns.
Isso agora quer é continuação.
Ab
karva
á miauuuuuu, temos artista, parabens, bom trabalho.
aranha
Está muito bom gato genéricamente está aqui quase tudo o que um pescador precisa saber para se iniciar na pesca nocturna nas praias.
frias
Obrigado companheiros pelo incentivo.
A ideia foi não aprofundar muito todas as questões mas dar uma panorâmica geral do essencial ...
Ainda bem que gostaram,
Abraços
Gato
